×

Vem um novo Memphis? Chefe do marketing do Corinthians explica sobre possíveis reforços midiáticos

Últimas

Vem um novo Memphis? Chefe do marketing do Corinthians explica sobre possíveis reforços midiáticos

Vinicius Manfredi analisa dificuldades e oportunidades de contratar jogadores com auxílio de patrocinadores e comenta oferta de site de acompanhantes para bancar Pogba

O sucesso na contratação de Memphis Depay, bancado com dinheiro do patrocinador máster, fez com que torcedores e até mesmo dirigentes do Corinthians sonhassem com a chegada de novos reforços do mesmo perfil: midiáticos e com o potencial de terem suas imagens exploradas por parceiros do clube.

Responsável por comandar o departamento de marketing do Corinthians, o superintendente Vinicius Manfredi trata como viável a repetição deste modelo de negócio, mas faz questão de alertar para as dificuldades de realizar projetos deste tipo:

– É um modelo legal, sedutor, ele faz a gente sonhar com vários movimentos, mas não é fácil de ser executado, ainda mais pelas cifras envolvidas quando você pensa em jogadores dessa magnitude.

– Já não é tão simples você vender um patrocínio. E nestes casos você tem que entender também qual é o seu acordo com o atleta. Porque o jogador é um ativo do clube, dentro do clube, quando ele está associado ao clube. Mas, se você quiser tê-lo também como um embaixador para marcas, é uma outra negociação que precisa ser feita.

Segundo Vinicius Manfredi, a busca por reforços deste tipo sempre parte do departamento de futebol, e só depois área de marketing é acionada:

– A gente só consegue entrar em campo se em algum momento a gente for acessado por alguém falando: “Olha, precisamos de apoio para tentar montar uma campanha, um projeto, ou um discurso pra tentar trazer um atleta.”

O caso de Memphis Depay teve uma peculiaridade: ao fechar patrocínio máster com o Corinthians, a casa de apostas Esportes da Sorte já tinha a intenção de bancar uma contratação de peso e reservou em contrato R$ 57 milhões para investir neste reforço.

Tal quantia, que representa menos de 20% do valor total do acordo (R$ 309 milhões), já é maior do que o clube recebe em todos os outros patrocinadores.

– O segmento bet (de apostas) é muito característico. As marcas sabem que se não estiverem na camisa de um determinado clube uma empresa concorrente estará. A porta de entrada das plataformas acaba sendo o futebol, e há um número limitado de times para patrocinar: são apenas 20 na Série A – argumenta o dirigente do Corinthians, que ainda prossegue:

– Por isso que a gente vê às vezes comentários do tipo: “Nossa, mas a propriedade de determinado clube era vendida por 15 e agora estão pagando 60, 70.” Isso acontece não porque o patrocínio vale mais agora, é porque para aquela categoria (casas de apostas) é muito característica essa disputa.

Como já tem a Esportes da Sorte como parceira, o Corinthians não pode fechar com outra empresa do ramo. A atual patrocinadora não descarta participar de novas contratações do clube, mas sem investir cifras parecidas com as da operação com Memphis Depay – a empresa esteve envolvida, por exemplo, na compra do goleiro Hugo Souza, mês passado.

Pogba e a oferta da Fatal Model

Ganhou força entre torcedores do Corinthians nos últimos dias a possibilidade de o clube contratar o meia francês Paul Pogba, que está sem clube. Apesar de especulações, o chefe do marketing alvinegro garante não ter sido procurado pelo departamento de futebol para viabilizar parceiros para esta transferência.

Na última terça-feira, o Timão recebeu uma oferta da plataforma de acompanhantes Fatal Model. A empresa divulgou em suas redes sociais que estava disposta a bancar os salários de Pogba, mas horas depois o clube se manifestou agradecendo a proposta e negando qualquer negociação nesse sentido.

Independentemente do interesse ou não em Pogba, Vinicius Manfredi explicou sua visão sobre uma eventual parceria com a Fatal Model. A empresa já é parceira de clubes de futebol, como o Vitória, mas enfrenta resistência por estar ligada ao mercado da prostituição.

– Eu acho que é um assunto bem delicado, como tantos outros segmentos que também são anunciantes no esporte ou em outras áreas. Acho que dá pra enxergar de duas maneiras: o de crítica e também pelo lado que eles tentam fazer com que uma atividade que sempre foi informal e sempre foi muito mal cuidada tenha uma certa segurança, tanto para quem anuncia na plataforma quanto para quem utiliza o serviço – opinou.

– Mas, de fato, é um segmento que precisa ter muita análise para tomar essa decisão, tem um custo de imagem, tem bastante coisa a ser avaliada junto às possibilidades. É preciso entender um pouco qual o movimento que o clube quer fazer do ponto de vista de posicionamento – completou.

De olho nos astros

Como mostrou o ge no início do mês, apesar das dificuldades financeiras, o Corinthians tem a intenção de buscar ao menos um grande reforço a cada ano, como foi a chegada de Memphis ao clube em 2024.

A aproximação do clube de jogadores estrangeiros e também brasileiros que atuaram ou atuam na seleção brasileira tem sido feita nos últimos meses pelo executivo Fabinho Soldado. Com o projeto de Memphis como exemplo, o objetivo é mudar a imagem do clube nos bastidores.

Um dos exemplos recentes do projeto do Corinthians em se aproximar de estrelas do futebol mundial foi a breve negociação com o zagueiro espanhol Sergio Ramos. O jogador reagiu positivamente ao interesse alvinegro, mas o Timão esbarrou no alto investimento que teria de fazer para contar com o zagueiro de 38 anos no elenco. A reta final da temporada e a incerteza sobre o calendário de 2025 acabaram esfriando as tratativas.

A chegada de Sergio Ramos, neste momento, está descartada pelo Corinthians. O departamento de futebol também não se animou com a possibilidade de contratar Pogba.

Fonte: GE